Quarta-feira à noite em Penedo. Na tv aberta, jornal, novela e futebol. No Theatro Sete de Setembro, a Companhia apresenta Cordel do Amor Sem Fim. São cinco anos em cartaz com a produção premiada em festival alagoano, feito comemorado no palco onde a peça foi encenada diversas vezes.

Convido minha companheira Michella para o programa cultural e lá vamos nós. Para minha surpresa, tem gente em todos os cantos. E não era por conta de acesso gratuito, o ingresso foi cobrado a preço popular, apenas dez reais.

Fico feliz, mais ainda com a qualidade do espetáculo produzido pela trupe penedense. O ótimo nível do trabalho atrai gente que esquece a ‘concorrência’ para ver além da telinha. Além disso, a recuperação do Sete de Setembro deixou a casa em ótimas condições, tanto para o público quanto para os artistas.

No final da apresentação, o diretor Tiago Henrique avisa a plateia que será feita uma homenagem para colaboradores do grupo que prepara um novo trabalho. Palmas para todos, inclusive para o elenco que também fez uma justa condecoração ao diretor.

Tiago e mais alguns integrantes da Maria Dengosa são ‘crias’ da extinta Companhia Penedense de Teatro. O grupo criado em 1990 se manteve em atividade durante mais de 20 anos, sendo o maior responsável – na minha opinião – por gerar um novo impulso criativo e produtivo nas artes cênicas em Penedo.

A determinação dos que vieram antes gerou o que vi ontem, um trabalho de qualidade para um público que, em parte, foi formado também por essa mesma geração de atores, atrizes, produtores, diretores, autores, cenógrafos, músicos, operadores de áudio e de som.

E apesar de tudo isso, os que estão em cena atualmente enfrentam os mesmos obstáculos dos que já deixaram o palco e a vida de quem ‘faz cultura’ no Brasil: falta de apoio. Seja por conta da miopia da iniciativa privada ou por ausência de políticas públicas efetivas, contínuas. Eles precisam e nós queremos mais, do melhor. Fecha a cortina.

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